Empresa deixa de fornecer tribunais por causa das dívidas
O Tribunal de Almada está em risco de ficar sem tinta para as impressoras por falta de pagamento do Ministério da Justiça à empresa fornecedora, revelou à Lusa um juiz daquele tribunal.
A falta de material deve-se, segundo o juiz Manuel Soares, do tribunal de Almada, às “avultadas dívidas” do ministério da Justiça para com a empresa fornecedora, que é a Compudata, que abastece todos os tribunais do país. Contactada pela Lusa, a Compudata não quis comentar as alegadas dívidas do ministério da Justiça. Porém, uma fonte da empresa confirmou que as ordens são para não fornecer produtos aos tribunais por causa das dívidas acumuladas do ministério tutelado por Alberto Martins, que negou, à Lusa, a existência de rupturas.
Em Almada, acrescenta Manuel Soares, os magistrados foram informados pelo secretário do tribunal de que a empresa se recusou a fornecer mais toner até o ministério da Justiça saldar as “avultadas dívidas”. “O secretário já teve de pedir toner emprestado ao tribunal da Moita e as secções já estão a partilhar impressoras para poupar o toner”, contou Manuel Soares à Lusa. É o segundo caso do género que vem a público nos últimos dias, depois do mesmo problema se ter registado no tribunal de Sintra, conforme noticiou o PÚ- BLICO esta semana. Em Sintra, a situação foi remediado com toner emprestado pelo tribunal de Oeiras.
Para o juiz, a situação é “lamentável” e poderá brevemente afectar as decisões judiciais. “A lei diz que as decisões dos juizes devem ser lidas, assinadas e depositadas de imediato, pelo que são necessárias impressoras. O facto de não podermos imprimir pode colocar em causa o nosso trabalho diário”, explicou.
PÚBLI- CO/Lusa
Público | quinta-feira, 31 Março 2011


