Ministra desafia Pinto Monteiro a demitir-se
Entrevista à TVI
“Eu hoje diria, sobre as do procurador-geral da República, o mesmo que disse no passado. As demissões devem partir dos próprios, quando entendem que não têm condições”, afirmou ontem a ministra da Justiça, em entrevista à TVI.
Embora realçando que entre o Governo e a PGR existe um clima de “lealdade e cooperação institucional”, Paula Teixeira da Cruz não escondeu que as divergências com Pinto Monteiro, manifestadas em 2010, se mantêm. E insistiu que o actual procurador dispõe de mais competências do que os seus antecessores.
Há cerca de ano e meio, foram precisamente as queixas de Pinto Monteiro de que dispunha de “menos poderes do que a rainha de Inglaterra” que levaram Paula Teixeira da Cruz, então vice-presidente do PSD, a dirigir-lhe fortes críticas. “É o PGR quem deve, em primeira linha, tirar consequências”, disse na altura. Pedro Passos Coelho tomou a mesma posição.
Pinto Monteiro, cujo mandato termina dentro de um ano, considerou na ocasião “absolutamente necessário que o poder político decida se pretende um Ministério Público autónomo, mas com uma hierarquia a funcionar, ou se prefere o actual simulacro de hierarquia”.
Após a posse do Governo PSD/CDS, comunicou que não se demitia, nem punha o lugar à disposição. A ministra da Justiça voltou à carga, acusando procurador-geral de ser “pernicioso à democracia”.
Jornal Notícias | sexta-feira, 18 Novembro 2011


