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ASJP - Associação Sindical dos Juízes Portugueses

Caso Rui Pedro usado para fuga

LISBOA BURLÃO AFIRMOU TER INFORMAÇÕES SOBRE PARADEIRO DO MENINO

Caso Rui Pedro usado para fuga

Lorosa de Matos, que seduziu e foi amante de duas magistradas do Ministério Público, enganou procurador e advogado em várias idas ao DCIAP

JOANA DOMINGOS SÁ

No dia em que conseguiu pôr os pés fora do Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz, Grândola, em Junho de 2003, o burlão José Lorosa de Matos queseduziu duas magistradas do Ministério Público – viu como conseguida a sua estratégia para ludibriar o procurador Rosário Teixeira e ainda Ricardo Sá Fernandes, advogado da família de Rui Pedro. Semanas antes, deslocara-se várias vezes a Lisboa, ao Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) onde, com astúcia, disse insistentemente ter informações sobre o paradeiro do menino desaparecido há 14 anos, em Lousada.

A cumprir pena de prisão por burlas, foi-lhe concedida uma saída precária de seis dias. Nunca mais regressou. Uma vez em liberdade, traçou de imediato uma estratégia para entrar no seio da Justiça portuguesa. Usou identidades falsas (como médico, engenheiro e polícia) e teve relacionamentos amorosos com Sônia Moreira e Sílvia Marques Bom, na altura magistradas do MP. Através delas conseguira dados pessoais de magistrados e polícias, chegando mesmo a frequentar o Campus da Justiça nosperíodos em que estava em Portugal, uma vez que em 2004 emigrara para o Reino Unido.

Com estatuto de informador do processo do desaparecimento de Rui Pedro, levou o avô do menino a alugar-lhe um carro, a fornecer-lhe um telemóvel e a transferir-lhe dinheiro. Chegou a dizer ao avô de Rui Pedro que estava a ver o menino a comer um gelado, em Londres, e que em breve o levaria de regressoa casa.

Seduzia mulheres em chats

José António Lorosa de Matos nasceu em Moçambique, mas cedo veio para Portugal. Em Viseu, frequentou a escola apenas até ao sexto ano, mas tal não o impediu de ter uma personalidade forte e persuasiva – que inteligentemente utilizou para seduzir várias mulheres em chats da internet.

No perfil traçado por psicólogos é tido como um homem frio e calculista, que se aproveita da fragilidade de terceiros e de tragédias familiares – como no caso Rui Pedro.

Lorosa de Matos foi preso em Novembro de 2010 e regressou à cadeia. Cumpre 18 anos por uma extensa lista de burlas, incluindo no Reino Unido e em Espanha, onde usurpou uma identidade, usada para assumir a paternidade de uma criança.

Correio Manhã | sábado, 29 Setembro 2012

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