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Proibição de Trump desafiada na Justiça

ESTADOS UNIDOS

Proibição de Trump desafiada na Justiça

DESAFIO – Estado de Washington abre processo legal para travar decreto que proíbe entrada de cidadãos de sete países muçulmanos CAOS – Recuo parcial da Administração não evita protestos

RICARDO RAMOS*

O estado de Washington anunciou ontem que vai avançar com um processo judicial para travar o controverso decreto do presidente Donald Trump que proibiu a entrada nos EUA de cidadãos de sete países islâmicos. “Esta medida é um insulto para as pessoas de todas as fés”, justificou o governador democrata do estado, Jay Inslee.

O processo judicial, que deverá ser formalizado nos próximos dias pelo procurador-geral local, é o primeiro a nível estadual, após várias queixas apresentadas a título individual durante o fim de semana, principalmente contra a detenção ou recusa de entrada nos EUA de cidadãos estrangeiros portadores de autorização de residência permanente, ou ‘carta verde’, como é conhecida.

Após dois dias de caos nos aeroportos, com os serviços de imigração e a polícia a receberem ordens contraditórias, a Administração esclareceu, no domingo, que os titulares de ‘carta verde’ não são abrangidos pela proibição, levando vários congressistas democratas e republicanos a criticar abertamente o “amadorismo” da Casa Branca na implementação da medida, contribuindo para aumentar a confusão.

O recuo parcial da Casa Branca não travou, porém, os protestos e a condenação global contra uma medida por muitos considerada “racista” e “anti-americana”.

Presidente nega caos nos aeroportos

Donald Trump minimizou ontem os problemas causados nos aeroportos pela implementação apressada das novas regras, afirmando que a culpa do caos “foi dos problemas informáticos da [companhia aérea] Delta, dos manifestantes e das lágrimas do senador Schumer”. “Foram apenas detidas 109 pessoas num universo de 325 mil viajantes. O Secretário da Segurança Interna disse-me que correu tudo muito bem”, escreveu no Twitter.

Obama condena “discriminação”

O ex-presidente Barack Obama quebrou ontem o silêncio para condenar a “discriminação de pessoas com base na sua fé ou religião” e alertou que os “valores americanos estão em risco”. Disse, ainda, sentir-se “encorajado” pela dimensão dos protestos contra a medida.

PORMENORES

Diplomatas revoltados

Dezenas de diplomatas norte- -americanos criticaram, num memorando interno, as medidas anti-imigração de Trump.

Empresas condenam

Grandes multinacionais como a Ford condenaram o decreto – de Trump. A Starbucks ofereceu emprego a 10 mil refugiados e a Airbnb alojamento a imigrantes bloqueados em aeroportos. 1,4 milhões contra visita Mais de 1,4 milhões de pessoas assinaram em dois dias uma petição a exigir que o governo britânico cancele visita de Trump.

Correio Manhã | Terça, 31 Janeiro 2017

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